
A trabalhar com a população sénior da Ajuda desde 2023, Maria Suely Pereira é presença habitual nos rastreios e iniciativas de promoção da saúde promovidas pela Junta. Nutricionista e mestranda em Gerontologia Social, alia conhecimento técnico a uma forte sensibilidade humana no acompanhamento às pessoas mais velhas.
Como começou a sua ligação à Ajuda?
Comecei por participar nos rastreios como voluntária. Tinha algum tempo disponível e gostava de colaborar. Entretanto, retomei os estudos em Gerontologia Social e reorganizei a minha atividade de nutrição para trabalhar sobretudo com pessoas idosas. Foi assim que, em 2023, comecei a integrar o apoio domiciliário e outras ações da JFA.
Quais são as principais características que observa nos mais velhos, do ponto de vista nutricional?

Surpreendeu-me perceber que têm, no geral, uma boa educação alimentar — não de cursos ou formação, mas da própria cultura de vida. O maior desafio não é saber como comer melhor, mas conseguir pôr esse conhecimento em prática. Muitas vezes dizem-me: “Eu sei o que devia fazer, mas hoje não me apetece” ou “Acordei mal, não estou bem para cozinhar”. Além disso, algumas doenças crónicas podem dificultar rotinas alimentares equilibradas.
Comer bem é mais caro?
Não necessariamente. Explico sempre que a nutrição assenta em quatro leis: quantidade, qualidade, harmonia e adequação. Se uma pessoa cumprir duas ou três ao longo do dia, já faz muito. Comprar a quantidade certa evita desperdício, e isso compensa no orçamento.
Os idosos seguem com atenção as suas orientações?
Sim, e acho isso belíssimo. Há um grande respeito pelo profissional, seja o nutricionista, o médico ou o farmacêutico. Valorizam muito a palavra de quem os acompanha e isso faz diferença no resultado.
Nota diferenças em faixas etárias mais jovens?
Sim. Os mais novos vivem muito a cultura do “não tenho tempo”. Alguns levam comida de casa, mas muitos optam por refeições rápidas ou menos equilibradas, sobretudo pelo ritmo de vida. Mesmo quando existem boas opções — como nas cantinas universitárias — a escolha recai muitas vezes no que parece mais prático.